MOTOR/CÂMBIO/DIFERENCIAL/RODAS
O "espaço" entre as marchas, conforme vimos é determinado pelas características de funcionamento do motor. Naturalmente um motor mais elástico permite relações entre marchas mais espaçadas e motores de maior potência especifica, relações mais próximas entre si.
Mas não é nenhuma regra "estanque". Existe uma flexibilidade e fica a critério do fabricante, dentro das limitações do projeto, colocar mais ou menos marchas entre a primeira e a marcha de velocidade máxima. Um mesmo carro, com a mesma motorização pode apresentar relações de câmbio distintas. A VW mesmo chegou a oferecer o Passat nos idos de 1983 com duas opções de câmbio - Normal ou Longa (tinha até um adesivinho no painel dizendo "Câmbio Longo). No caso do Passat "normal", tinham-se 4 marchas REAIS (a velocidade máxima era atingida em 4 marcha) e no "Câmbio Longo", a velocidade máxima que a terceira atingia era igual a atingida em quarta marcha. Era o que o pessoal chamava de câmbio 3+E (tres marchas de andar e a 4 de "descanso" como o povo dizia).
Via de regra, a maioria dos carros nacionais são carros de 5 marchas reais (a velocidade máxima é atingida em 5 marcha) mas existem exceções. Ford Ranger a diesel 3.0 (velocidade máxima em 4 marcha), os novos VW Pólo e Gol's de geração antiga com motorização AP1600.
Transmissões longas em motores "elásticos" favorecem o consumo e o motor trabalha em rotações mais baixas. Por outro lado, em certas situações, requerem redução de marchas com maior freqüência (especialmente em uso rodoviário) e quando a transmissão é longa demais, aparecem os famosos "buracos" em que a gente acaba pensando que poderia haver uma marcha a mais entre a segunda e a terceira ou a terceira e a quarta...
Transmissões curtas fazem que a condução se dê em rotações mais altas, favorecem a agilidade (o motor "enche" mais rapidamente) mas por outro lado, em velocidade, aumentam o nível de ruído (andar a 120km/h em 4000 rpm's o tempo inteiro é uma chatice) e o consumo de combustível.
Numa ótica puramente pessoal, "câmbio curto" não é do meu agrado. Prefiro escalonamentos mais abertos. Já o brasileiro em geral prefere o contrário...
Quando um fabricante projeta um veículo, ele projeta inclusive a rodagem para uma determinada relação de marchas e diferencial. Em carros de passeio isso influencia pouco pois são poucos os "malucos" que alteram significativamente o perímetro dos pneus (geralmente troca-se 175/70R13 por 185/60R14 - correspondendo a menos de 1% de alongamento).
Em picapes e veículos /off road/ mudança nos pneus aumentando o perímetro da rodagem entretanto são bem comuns e essas mudanças, além de alterações no comportamento dinâmico do veículo, alteram significativamente a forma de condução uma vez implica num alongamento da transmissão. Carros com transmissão curta demais (vide caso da L-200 Sport/Outdoor), um alongamentozinho no câmbio cai bem, mas quando se pega veículos de transmissão longa (e o melhor caso deles é o da Ranger 3.0 - a picape com o câmbio mais longo do mercado), aumentar o escalonamento de marcha num carro que já tem a transmissão até longa demais quando original, pode se tornar um problema pois além de mexer no velocímetro proporcionalmente ao alongamento (diminui a velocidade indicada e o hodômetro marca a menos - portanto cuidado com radares!!!!), o carro pode acabar ficando "manco" em retomada.
Cito um caso que eu mesmo fiz: Tenho uma Saveiro Supersurf 2003 equipada com pneus originais 195/50R15 e um belo par de rodas originais, de liga leve. Devido ao meu uso em estradas não pavimentadas, coloquei pneus 195/65R15, o que correspondeu a um alongamento de 6,55% na transmissão (já longa) do carro e uma diminuição de mesma porcentagem, no indicado pelo hodômetro e pelo velocímetro. Resultado: Ficou ótimo para andar em estradas de terra, levantou mais a picapezinha em quase 1cm em relação ao solo mas...ela ficou manca em algumas marchas. Em segunda por exemplo, numa subida, ela sente bastante. Na Ranger, sempre tive vontade de colocar 265/75R16 mas representaria um alongamento muito grande na transmissão e perderia em agilidade. Ai acabei ficando com os 245/75R16 originais mesmo, quando coloquei os pneus novos em substituição aos originais.
Por isso, ao mexer na rodagem de um veículo é algo muito bom, muito divertido. Mas requer critérios e o dono do carro ter plenamente na cabeça o que ele ganhará/perderá com a alteração.
Partte final.
Daniel Shimomoto


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