Transamazônica Challenge 25 de Março de 2010
Acordamos com Sol, aliás, acho que quem acampa normalmente é despertado pelos raios de Sol. Nosso grupo e do Alcyr começaram a preparar o farnel e arrumar as tralhas para partir. A noite foi bem agradável, a temperatura nessa época durante a noite fica em torno de 24 graus, bem agradável para dormir e os mosquitos não incomodam durante a noite.
Nosso grupo se organizou mais rápido e saiu na frente para preparar as pontes de retorno, tínhamos mais 3 pontes para refazer e uma, a maior é a mais complicada e como tinha chovido existia muita lama na entrada da ponte, deixando as finas toras escorregadias.
Chegamos ao primeiro obstáculo, rapidamente refizemos as amarras, mais troncos e passamos. Na segunda ponte o perigo estava grande, pois o barranco de um dos lados estava cedendo, choveu muito. Tensão total e fomos um por um passando até que o último veículo, a Triton, ao passar fez o barranco cair. Mais uma vez Deus estava ao nosso lado, à altura da queda era de 3 metros. Seguimos em frente!
No caminho as erosões eram os maiores desafios maiores, pioradas pelas chuvas e remexidas pela nossa passagem na ida se tornaram um atraso, pois alguns veículos atolavam, mas era isso que queríamos. A frente do grupo a Hilux e a Band, para irmos arrumando a trilha e as pontes, atrás o grupo ia mais lento, atolando, puxando, uma verdadeira farra!
Chegamos à grande ponte e refizemos as amarras. Colocamos mais troncos, estava tudo muito molhado, escorregadio, após uns 30 minutos de arrumação o “boi de piranha” entrou na travessia, quando a traseira entrou na área dos troncos escorregou, ficou a apenas dois dedos de cair da ponte, nesse lugar não tinha nada na parte de baixo, seria uma queda de 2 metros dentro d’água com mais 1 metro de profundidade e para tirar seria uma mão de obra de dias, sem falar que iria danificar seriamente o veículo. Amarramos uma cinta na traseira e ancoramos de lado para que pudesse seguir mais 50 cm à frente e não cair. Deu tudo certo, apesar da apreensão e do medo geral conseguimos.
Na segunda parte da ponte, nos grandes troncos, a escolha do caminho pelo guia foi errônea e com isso a Hilux caiu com um lado entre os troncos, ficando presa, mas como existia um grande tronco no meio não tinha perigo de cair no riacho. Começou uma operação para retirar a Hilux do buraco, mais troncos e colocamos o cabo do guincho e mais 4 cintas e um cabo de aço extra, amarrados em uma arvore a mais de 80 metros da ponte, com a ajuda do guincho, modelo Ironman de 6t, e a preparação do caminho pelo grupo a Hilux foi saindo aos poucos, apenas danos na lataria, superficiais. Lentamente fomos passando os veículos e mais uma vez a Fabiana mostrou ser muito corajosa passando com o Jimny e o André sua competência como guia de pontes.
Depois dessa última ponte seguimos nas erosões e mais atoladores, mais ai o grupo já estava mais safo e fomos vencendo com maestria. Chegamos aos lajedões, mais alguns quilômetros subindo pedras, um verdadeiro Rock Crawling, ou seja, tivemos de tudo! Pedras, erosões, lama, travessias de rios e alagados, areões e muita mais muita adrenalina nas pontes quebradas.
Chegamos à fazenda do Sr. Joaquim novamente, não passamos pelo pasto, resolvemos seguir pela estrada alagada, para nossa surpresa era uma travessia curta e relativamente rasa, na altura do capô do Jimny, todos passaram por lá e fomos para a travessia do Roselvet na balsa. Demorou um pouco, o balseiro estava pescando e pegamos uma voadeira rio acima atrás dele.
Após atravessar o Rio Roselvelt, todos loucos por uma cerveja e água gelada corremos para Guariba, onde iríamos pernoitar e começar nosso caminho de volta para a 163 e seguir para Santarém.
Adendos:
1 - Desafios
Foram 200 km de muita aventura, 100 km de ida e 100 km de volta, entre o Madeirinha e Guariba, embora todos dissessem que estava impossível de passar precisávamos ver com nossos olhos e acima de tudo seguir em frente com nossa aventura, afinal Challenge é isso! Estes 200 km foram uma grande experiência de vida para todos, mesmo os mais experientes, convívio, trabalho em grupo, superação dos obstáculos, mas principalmente superação do medo! O Medo era constante nas pontes, o risco de acidente era eminente. Seguimos sempre em frente, o grupo unido, o grupo forte, o grupo de pessoas corajosas e destemidas.
O fato de não conseguirmos vencer a natureza a passar por uma ponte a 3 metros em baixo d’água não nos deixou nem um pouco frustrados, pelo contrario, nos deu mais força, pois sabíamos que tudo que enfrentamos para chegar ali seria novamente vivido para retornarmos, só que agora mais rápido, pois sabíamos o caminho e tínhamos noção das limitações e onde poderíamos puxar mais.
Nossa volta foi mais comemorada com a adição da Família Neves, todos ali passaram por medos e sofrimentos, mas nenhum desistiu diante dos problemas e das dificuldades. Todos estavam de alma lavada pela vitória, afinal ali é lugar de pessoas destemidas, os fracos e os que deixam o medo vencer em suas vidas nunca chegariam perto de um lugar como aquele. Desafios e perigos, animais, mosquitos ferozes e que deixaram marcas. Todos estavam felizes e realizados por termos vencido o maior desafio off Road de todas as nossas vidas. Pelo menos até o presente momento.
2 – Amizades
Novas amizades foram feitas e não baseadas em barzinhos e conversas fiadas, mas na união de forças e na observação do caráter de cada um, afinal foram dias complicados, difíceis e estressantes. Noites mal dormidas, medo, cansaço e em alguns momentos desesperança, mas sempre unidos em prol de nossa vitória maior, chegar ao Madeirinha vivos e sem nenhum acidente. Amigos de verdade se encontraram nesses momentos, afinal ali temos noção de quem tem ou não caráter nos momentos de tensão e estresse.
3 – Aprendizados
O Transamazônica Challenge deste ano foi uma grande escola para todos, sejam os que aprenderam mais sobre off Road, sejam os que aprenderam mais sobre o próximo, sobre a natureza humana. Mais uma vez o projeto TAC foi mais do que uma aventura, foi também uma lição de vida!
Nosso grupo se organizou mais rápido e saiu na frente para preparar as pontes de retorno, tínhamos mais 3 pontes para refazer e uma, a maior é a mais complicada e como tinha chovido existia muita lama na entrada da ponte, deixando as finas toras escorregadias.
Chegamos ao primeiro obstáculo, rapidamente refizemos as amarras, mais troncos e passamos. Na segunda ponte o perigo estava grande, pois o barranco de um dos lados estava cedendo, choveu muito. Tensão total e fomos um por um passando até que o último veículo, a Triton, ao passar fez o barranco cair. Mais uma vez Deus estava ao nosso lado, à altura da queda era de 3 metros. Seguimos em frente!
No caminho as erosões eram os maiores desafios maiores, pioradas pelas chuvas e remexidas pela nossa passagem na ida se tornaram um atraso, pois alguns veículos atolavam, mas era isso que queríamos. A frente do grupo a Hilux e a Band, para irmos arrumando a trilha e as pontes, atrás o grupo ia mais lento, atolando, puxando, uma verdadeira farra!
Chegamos à grande ponte e refizemos as amarras. Colocamos mais troncos, estava tudo muito molhado, escorregadio, após uns 30 minutos de arrumação o “boi de piranha” entrou na travessia, quando a traseira entrou na área dos troncos escorregou, ficou a apenas dois dedos de cair da ponte, nesse lugar não tinha nada na parte de baixo, seria uma queda de 2 metros dentro d’água com mais 1 metro de profundidade e para tirar seria uma mão de obra de dias, sem falar que iria danificar seriamente o veículo. Amarramos uma cinta na traseira e ancoramos de lado para que pudesse seguir mais 50 cm à frente e não cair. Deu tudo certo, apesar da apreensão e do medo geral conseguimos.
Na segunda parte da ponte, nos grandes troncos, a escolha do caminho pelo guia foi errônea e com isso a Hilux caiu com um lado entre os troncos, ficando presa, mas como existia um grande tronco no meio não tinha perigo de cair no riacho. Começou uma operação para retirar a Hilux do buraco, mais troncos e colocamos o cabo do guincho e mais 4 cintas e um cabo de aço extra, amarrados em uma arvore a mais de 80 metros da ponte, com a ajuda do guincho, modelo Ironman de 6t, e a preparação do caminho pelo grupo a Hilux foi saindo aos poucos, apenas danos na lataria, superficiais. Lentamente fomos passando os veículos e mais uma vez a Fabiana mostrou ser muito corajosa passando com o Jimny e o André sua competência como guia de pontes.
Depois dessa última ponte seguimos nas erosões e mais atoladores, mais ai o grupo já estava mais safo e fomos vencendo com maestria. Chegamos aos lajedões, mais alguns quilômetros subindo pedras, um verdadeiro Rock Crawling, ou seja, tivemos de tudo! Pedras, erosões, lama, travessias de rios e alagados, areões e muita mais muita adrenalina nas pontes quebradas.
Chegamos à fazenda do Sr. Joaquim novamente, não passamos pelo pasto, resolvemos seguir pela estrada alagada, para nossa surpresa era uma travessia curta e relativamente rasa, na altura do capô do Jimny, todos passaram por lá e fomos para a travessia do Roselvet na balsa. Demorou um pouco, o balseiro estava pescando e pegamos uma voadeira rio acima atrás dele.
Após atravessar o Rio Roselvelt, todos loucos por uma cerveja e água gelada corremos para Guariba, onde iríamos pernoitar e começar nosso caminho de volta para a 163 e seguir para Santarém.
Adendos:
1 - Desafios
Foram 200 km de muita aventura, 100 km de ida e 100 km de volta, entre o Madeirinha e Guariba, embora todos dissessem que estava impossível de passar precisávamos ver com nossos olhos e acima de tudo seguir em frente com nossa aventura, afinal Challenge é isso! Estes 200 km foram uma grande experiência de vida para todos, mesmo os mais experientes, convívio, trabalho em grupo, superação dos obstáculos, mas principalmente superação do medo! O Medo era constante nas pontes, o risco de acidente era eminente. Seguimos sempre em frente, o grupo unido, o grupo forte, o grupo de pessoas corajosas e destemidas.
O fato de não conseguirmos vencer a natureza a passar por uma ponte a 3 metros em baixo d’água não nos deixou nem um pouco frustrados, pelo contrario, nos deu mais força, pois sabíamos que tudo que enfrentamos para chegar ali seria novamente vivido para retornarmos, só que agora mais rápido, pois sabíamos o caminho e tínhamos noção das limitações e onde poderíamos puxar mais.
Nossa volta foi mais comemorada com a adição da Família Neves, todos ali passaram por medos e sofrimentos, mas nenhum desistiu diante dos problemas e das dificuldades. Todos estavam de alma lavada pela vitória, afinal ali é lugar de pessoas destemidas, os fracos e os que deixam o medo vencer em suas vidas nunca chegariam perto de um lugar como aquele. Desafios e perigos, animais, mosquitos ferozes e que deixaram marcas. Todos estavam felizes e realizados por termos vencido o maior desafio off Road de todas as nossas vidas. Pelo menos até o presente momento.
2 – Amizades
Novas amizades foram feitas e não baseadas em barzinhos e conversas fiadas, mas na união de forças e na observação do caráter de cada um, afinal foram dias complicados, difíceis e estressantes. Noites mal dormidas, medo, cansaço e em alguns momentos desesperança, mas sempre unidos em prol de nossa vitória maior, chegar ao Madeirinha vivos e sem nenhum acidente. Amigos de verdade se encontraram nesses momentos, afinal ali temos noção de quem tem ou não caráter nos momentos de tensão e estresse.
3 – Aprendizados
O Transamazônica Challenge deste ano foi uma grande escola para todos, sejam os que aprenderam mais sobre off Road, sejam os que aprenderam mais sobre o próximo, sobre a natureza humana. Mais uma vez o projeto TAC foi mais do que uma aventura, foi também uma lição de vida!
Nenhum comentário:
Postar um comentário