Neste Mundo tão masculino, uma vez que não são todas as mulheres que topam um banho de lama, unhas quebradas, cortes pelo corpo, mãos sujas de graxa e óleo, visitas ao mecânico, piadinhas dos marmanjos enciumados pelas habilidades, muitas vezes superiores a deles. A mulher jipeira, ainda considerada uma jóia rara neste mundo off Road, está a cada dia conquistando novos horizontes, sejam nas corridas de indoor, nos rallys ou nas trilhas.
Em Pernambuco um dos jipes clubes mais atuantes do estado é dirigido por uma mulher, Sonia Ribeiro.
Em São Paulo tem uma trilheira de mão cheia, onde o desafio é a razão de continuar sempre em frente, “desde que não existam cobras no mato”, como costuma dizer a Sílvia, conhecida como Tweeter. Apaixonada pelo seu jipe Willys vermelho, o Montanha, onde gosta de apreciar a natureza de um jeito bem especial, rodeada de amigos e com muita lama pelo corpo, e logicamente muita graxa e óleo, afinal é um Willys. A Sílvia além de ser jipeira é pilota de Rally, o que segundo ela é a realização de um sonho antigo de sentir a adrenalina fluindo em seu corpo e poder mostrar para os marmanjos que as mulheres estão aqui para vencer, não só competir e dar ar da beleza aos eventos.
No maior rally do mundo, conhecido antigamente como Paris - Dakar, em 1997 a alemã Jutta Kleinschmid foi à primeira mulher a vencer uma etapa do rally, em 1999 liderou o Dakar subindo ao pódio em terceiro lugar e em 2001 a primeira mulher a vencer o Rally Dakar, correndo pela equipe Volkswagen. Entrando assim pro hall da fama mundial. Muitas outras mulheres participaram e participam do Dakar, mas nenhuma foi tão longe quanto Jutta.
SER JIPEIRASer jipeira é ser um ser um pouco diferente.
É experimentar um jeito de ser mulher em um universo bem masculino e aprender com a convivência as melhores virtudes dos homens:a camaradagem, o companheirismo, a cumplicidade e a objetividade.
É ter calma e coragem mesmo quando a TPM bota os medos e inseguranças pra fora.
É não perder o charme e a feminilidade, mesmo suja e elameada.
É ver as caras de espanto, só porque você sabe o que é e onde fica a rebimboca da parafuseta.
É aceitar calmamente pensarem que você é sapatão, só porque anda num jipão.
É saber que não adiante deixar a roupa suja de barro no tanque, porque é você mesma que vai lavar.
É saber o real significado da frase: “meu namorado disse: ou eu, ou o jipe. Ah, como eu gostava dele....”.
É comprar menos roupas e sapatos pra ter o que gastar na oficina.
É se sentir mais feliz no Setor H Norte* do que no shopping.
É saber que fazer trilha é o melhor tratamento estético que existe, rejuvenece, sara a barriguinha e enrijece os glúteos.
É aprender que há cinta que não é para prender meias e que há prancha que não é pra fazer chapinha no cabelo.É ter mais graxa nas unhas do que esmalte.
É lembrar de retocar o batom na mesma erosão onde muitos marmanjos se mijaram nas calças.
É a alegria de ouvir “se você for vai ser muito melhor” e ver como é valorizada a presença feminina no mundo off-road.
É fazer o maior sucesso em qualquer posto de gasolina.
Mas, ser jipeira também é ter muito em comum com os jipeiros.
Mas, ser jipeira também é ter muito em comum com os jipeiros.
É ter lama nas veias.É gostar de desafio e de sentir o coração batendo acelerado.
É ser mais uma criança com seu brinquedão.
E é descobrir que uma das coisas mais gostosas da vida é esquecer do mundo em uma trilha, rodeada de amigos!
Telma Cristina (BSB)
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(*) o paraíso dos ferros velhos de Brasília.
Sérgio Holanda
Telma Cristina (BSB)
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(*) o paraíso dos ferros velhos de Brasília.
Sérgio Holanda
Noooossa!!! Estava navegando a procura de umas informações e me deparei com essa matéria tão legal. Que agradável surpresa. Valeu Sérgio! E um abraço especial pra a Sonia Ribeiro, batalhadora pelo Jeep Clube aí em Pernambuco.
ResponderExcluirAbração!
Telma